Minha virada cultural começou com uma decepção: tive que fazer um servicinho pro meu trabalho e acabei não conseguindo pegar ingresso pro show de Arrigo Barnabé. Tudo bem. Já ando bem decepcionado com o mundo do trabalho.
Sem ingresso pra Clara Crocodilo, passei na casa de alguns amigos, encontrei um pessoal das antigas, matei saudades e saimos dispersos: alguns foram enfrentar a fila do teatro municipal - que, vale a pena registrar, poderia dar algumas voltas ao redor do próprio teatro - para o show de Egberto Gismonti. Como não queria arriscar meu precioso tempo de lazer parado, saí com um grupo pequeno em busca de atrações mais acessíveis.
Nossa primeira tentativa foi "Orquestra Sinfônica Municipal acompanhada por Jon Lord" na Av. São João às 18h10. Nunca tinha ouvido falar do tal Lord, mas até aí né?
Tudo começou muito bem. A gente estava meio longe do palco. A orquestrinha tava lá pa-pa-ra-ra-pa-pa quando, derrepente, eis que Jon Lord solta os acordes distorcidos de sua guitarra elétrica num misto de metal farofa com um fuzzion de bem baixa qualidade. Foi praticamente uma ordem de despejo.
Rumamos em direção à estação São Bento pelo Anhangabaú, procurando pelo palco dos djs de Hip Hop. Nos confundimos e acabamos ficando num palco que tocava black enquanto alguns animadores de festa tentavam organizar uma roda de dança. Foi até engraçado ver os animadores disputando um espacinho, tentando organizar a roda com a mendigália do vale, mas depois de dez minutos cansou, e aliado a isto, descubrimos que o palco do Hip Hop estava em frente ao Mosteiro São Bento.
Em nossa rápida passada pelo mosteiro, pudemos ver algo que se assemelhava com uma versão gorditcha da Negra Lee cantando com 3 dançarinos. Nada convidativo.
Próxima parada, Pátio do Colégio. Já passava das 22h quando Deus resolveu ouvir nossas preces e colocou um sonzinho maneiro pra tocar. Era o palco da rua Anchieta, que trazia os djs das baladas paulistanas. Pegamos o final da apresentação de Waltinho Abud, que foi um ótimo aquecimento, e engatamos um Daniel Ganjaman. Destaque para a mendiga mijada que com certeza alguém presenteou com uma balinha só pela comédia, coitada: tava lá dançando, dando piruleta e posando para fotos.
Alguns amigos telefonaram e marcamos de nos encontrar na Av. Rio Branco. Eu queria ver o Trio Mocotó, mas acabei desistindo em prol da maioria e fomos ver Marcelo Camelo na Av. São João. Ótimo show, ainda que assistido bem de longe. Longe até do Telão. De qualquer forma, Rob Mazureck apavorou no trumpete, isso deu pra ouvir bem. E como era unanimidade entre nós assistir o show do Instituto tocando Tim Maia Racional no mesmo lugar, achamos melhor esperar por lá mesmo. Só tentamos nos aproximar mais do palco.
Show do Instituto, além da empolgação do Racional, contou ainda com ótimas improvisações, principalmente do Kamau. O rapaiz mandou uma improvisada no final do show que, vou te dizer... Enfim, com certeza o ponto alto da minha noite.
Tinha uma gringa amiga nossa, inglesa, que tava toda derretida com o acontecimento, vendo aquele monte de gente andando junta, com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo. É legal saber que um evento desse porte rola em São Paulo. Essa cidade é tão grande que imaginar que um evento cultural gratuito se arrisca a chamar tanta gente pras ruas (estimados 4 milhões), sei lá. Na verdade deve bem ser uma política pão e circo, ou melhor, circo e circo, do PSBD/DEM. Afinal, não seria melhor espalhar os shows pelo calendário e possibilitar mais ordeiramente o acesso das pessoas às atrações? Tanto que quem viu a cidade no domingo à tarde, quando a virada já tinha acabado, notou o estrago geral. O centro, cheio de lixo por todo lado, e o fedor do mijo disseminado no ar, nos dava a impressão de estarmos nas filmagens de Blindness. Mas é claro que o projeto todo vale a pena, principalmente em nome desse valor, que é a cultura.
Bom, fim do Racional, 4h da matina, pra mim já tava de bom tamanho. Fui pra casa de ônibus, tomei banho e dormi.
Acordei ao meio-dia, me preparei e fui a pé para o centro, acompanhado apenas por um amigo, mas com a promessa de encontrar os outros no show. Chegamos na Av. São João umas 14h20 e fomos pra frente, o mais próximo possível do palco. O lugar estava completamente lotado. Fiquei impressionado em ver tanta gente querendo assistir os Novos Baianos. Aliás, acredito que para muitos artistas, principalmente os mais velhos, como Arrigo Barnabé, que viu o Municipal lotado só para assistir o show de um álbum que ele lançou, sei lá, há uns 20 anos, deve ser muito gratificante.
Houve desencontros entre nosso grupo de amigos e, como a locomoção em meio à multidão estava quase impossível, acabei vendo o show só com dois amigos. E o que dizer? Os Novos Baianos continuam excepcionais. Gostei muito quando tocaram uma música que eu até então desconhecia mas que chama "Colégio de aplicação", e a letra diz: "No céu, azul, azul fumaça / Saindo dos prédios para as praças / Uma nova raça". Tocante.
E, acabando o show, ainda conseguimos ver os franceses do Mecánique Vivante fazendo ecoar suas sirenes pelo centro velho, com suas sombras gigantes projetadas nos prédios ao lado. Lindo. E daí acabou né.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Campanha de arrecadação de verba para Revista Ocas
A Ocas é um projeto sócio-editorial que visa dar alguma qualidade de vida aos moradores de rua. A revista é vendida em vários lugares da cidade, custa R$ 3,00, dos quais R$ 2,00 vão para o vendedor morador de rua. Infelizmente o projeto não tem financiamento, e sobrevive de doações da sociedade civil.Em solidariedade a esse projeto que tem transformado a vida de tantas pessoas estou divulgando a carta de pedido de doações aqui no blog.
Se você pode, faça uma doação e divulgue essa campanha:
A OCAS, que desde 2002 proporciona à população em situação de risco social meios para alcançar uma vida digna, como já noticiamos em dezembro de 2008, continua num período de entressafra de apoios e ainda necessita da sua ajuda para não interromper as atividades.
Agradecemos a todos que já colaboraram e reforçamos que toda contribuição será bem-vinda. Se puderem repassar esta mensagem a seus amigos e conhecidos, talvez tenhamos mais chance de sair da desconfortável situação financeira, afinal, quanto mais pessoas conhecerem o projeto, mais chances teremos de receber apoio.
Quando iniciamos a campanha de arrecadação, fixamos um valor de R$ 22 mil, com prazo até 5 de janeiro, porque estávamos numa corrida contra o tempo para evitarmos endividamento e juros bancários. Infelizmente não conseguimos alcançar nossas metas e tornamos a pedir ajuda de todos.
Continuamos otimistas, crendo que a partir de abril parcerias se renovarão e novas surgirão.
Até a presente data, contabilizando entradas e saídas para pagamento de despesas de praxe, já foram levantados R$ 8.535,90, valor ainda insuficiente para cobrir todas as despesas até abril. Apesar das dificuldades a edição de janeiro/fevereiro entrará em circulação nos próximos dias de janeiro.
Para doar qualquer quantia, gentileza fazer depósito em nome da:
Organização Civil de Ação Social
CNPJ n.º 04.847.090/0001-01:
Banco Itaú S/A.
Agência n.º 0187
Conta-corrente n.º 44.013-6
O valor arrecadado é atualizado semanalmente no blog da revista.
Além de doações, as pessoas podem contribuir comprando a revista dos vendedores, no Rio de Janeiro ou em São Paulo. Se houver dúvidas sobre como adquiri-las escreva para ocas@ocas.org.br solicitando informações.
Cerca de 1500 pessoas já atuaram como vendedores da revista Ocas’’ e de outras atividades de apoio que mantemos e os resultados foram tão positivos que a maioria fortaleceu a auto-estima, retomou a vida no ambiente familiar, voltou aos estudos e muitos até conquistaram um emprego, graças aos novos contatos que fizeram. Contribua você também com um projeto que preza por uma sociedade justa, democrática e participativa.
Nós, voluntários e vendedores da OCAS, agradecemos a sua colaboração e desejamos um ótimo 2009!
Equipe OCAS
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Israel é o terror!

Hoje é o 14º dia dos ataques de Israel à faixa de Gaza e muita coisa vem sendo discutida. Por exemplo, ontem, em reunião do Conselho de Segurança da ONU, 14 países aprovaram o documento que exige o imediato cessar fogo, principalmente por parte de Israel (apenas os Estados Unidos se omitiram), mas segundo os jornais os ataques continuam.
O Hamas, grupo representativo extremista que hoje possui 16% de aprovação entre a sociedade de Gaza, chegou ao poder após enfraquecimento do Fatah, grupo moderado que hoje goza de 40% de aprovação, mas que à época parecia moderado demais aos olhos palestinos. Segundo Israel, os ataques que tiveram início no dia 27 de dezembro visaram impedir que grupos militantes palestinos continuassem a lançar foguetes contra seu território.
No Brasil, gerou-se uma polêmica sobre uma nota publicada pelo PT em seu site que afirma que "a retaliação contra civis é uma prática típica do Exército nazista", recebendo críticas de entidades judáicas brasileiras, latino-americanas e mesmo do ministro de Assuntos Sociais de Israel. A seção latino-americana do Centro Simon Wiesenthal, que luta pela punição a criminosos de guerras nazistas, com sede em Buenos Aire, disse que o comunicado do PT é "escandaloso" e "demonstra solidariedade com o antissemitismo", ao que foi rebatida pelo partido brasileiro com a afirmação de que "escandaloso é um centro de direitos humanos fechar os olhos diante da barbárie praticada contra o povo de Gaza".
A maioria dos judeus espalhados mundo a fora sempre braveja contra qualquer comparação entre o Estado de Israel e o Exército nazista, mas como classificar esse povo que toma um território e, intitulando-se eleitos por Deus, limita a cidadania deste território apenas àqueles que partilham de sua religião exclusivista por natureza? Como aceitar os ataques a civis, escolas, e tantos outros alvos que não se aliam ao Hamas? Se os Estados Unidos invadem e guerreiam vários países em nome da "democracia", Israel seria um bom começo, já que sua pré-condição de existência é completamente anti-democrática.
Em sua última graphic novel, "O complô", Will Eisner - que também era judeu - mostra como seu povo foi vítima de um grande esquema no século XIX, iniciado pela publicação dos "Protocolos dos sábios de Sião", e que acabou desembocando no nazismo do século XX. Parece que a lição foi aprendida, e hoje, assim como o terror dos extremistas muçulmanos (que nem são a maioria desse povo), o terror por parte do Estado de Israel é um dos maiores inimigos da democracia universal.
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