
Bom, chegado o fim de ano, é hora de refletir sobre o que aconteceu nestes 365 dias de 2008 – ou, entre mortos e feridos, quem se salvou? – para então estabelecer planos e metas para este próximo que vem chegando.
Há quem não dê muita importância a esse tipo de reflexão, principalmente nesta época do ano. Não é o meu caso.
Acredito que encerrar o ano é encerrar um ciclo. É rever intimamente as posições tomadas até então, o que realmente se tem feito ou não se fez, a concretização ou direcionamento dos planos antigos, as mudanças de planos e seus porquês, com quem se conviveu, se entrosou, se apaixonou, enfim, o que se viveu, e por outro lado, o que aconteceu ao nosso redor, o que aconteceu no país e no mundo, os fatos que marcaram o ano a maneira com que os vivenciamos.
É por isso que sempre gostei de diários, principalmente pelo registro, mas também pela experiência íntima com os fatos que nos propicia. Na falta de um, guardo algumas revistas e jornais que acredito serem expressivos de alguns momentos especiais. O que com certeza não tem muito a ver com um diário no sentido estrito do termo, mas que cumpre certo papel. Coloquei como um item da minha lista de resoluções de ano novo: começar um semanário. Gostaria de ter um diário, mas sei que não teria disciplina suficiente para tanto, então decidi escrever por volta de 5 a 7 tópicos por dia, e no final de semana tento conectá-los em um texto pessoal.
Retomando, toda essa história de reflexão sobre o ano me sobreveio simplesmente porque 2008 foi um ano importante para os tempos que vivemos, o que se faz notar pelo grande número de acontecimentos marcantes ocorridos não só internacionalmente, mas também aqui na terrinha amada. Vou tentar lembrar alguns, de cabeça (portanto me perdoem antecipadamente, pois com certeza vou deixar muita coisa importante de fora):
Pra começar, esse foi um ano de crises: a maior de todas, que foi a financeira, acompanhada pela crise de alimentos do começo do ano, pelas crises políticas na Bolívia, no Congo, e, mais recentemente, na Tailândia e na Grécia.
Também assistimos as olimpíadas na China, e as manifestações pró-Tibet, que mereciam ao menos ter sido mais debatidas pela comunidade internacional. E tivemos ainda um acelerador de partículas que ia revelar os mistérios do universo, mas que deu pau e está sendo consertado; ataques terroristas na Índia, continuações da rodada de Doha e o Brasil presidindo – e muito bem – o G-20.
E por falar em Brasil, por aqui tivemos as eleições municipais, que mostraram certa desorientação do eleitorado com referência ao alinhamento governista/oposicionista. Lula, que a cada pesquisa bateu novos recordes de popularidade, teve seu apoio formal disputado praticamente a tapas pelos candidatos de todos os partidos – aliás, chegou a ser divertido, pra não dizer amedrontador, ver os candidatos do PSDB e PFL bradando a quem quisesse ouvir que estavam com Lula até debaixo d’água – e o erro nojento da campanha de Marta Suplicy querendo angariar votos falando em público que Kassabi era viado, acabou perdendo (playboy!).
Dilma Roussef saiu como o mais provável nome petista na sucessão de Lula, e disse que pré-sal + projetos sociais = erradicação da pobreza no Brasil em até 15 anos! Como a direita nunca surpreende (a não ser com golpes baixos), espera-se um nome como Serra ou Alckmin (que Deus e o povo brasileiro tenham piedade!).
Há que se lembrar que a crise ambiental chega chegando, e como pré-aviso tivemos várias catástrofes naturais ao redor do mundo. Entre terremotos (tremores em São Paulo), incêndios em florestas e muita chuva, sobressaiu a enchente de Santa Catarina, que, sem querer diminuir suas mazelas, mostrou que o país é unido e com disposição a ajudar (e olha que os estados sulinos não têm fama de gostar dessa união brasileira).
No que diz respeito a minha vida pessoal, 2008 também foi um ano decisivo e marcante. Afinal de contas, foi o ano em que me mudei pra São Paulo, e obviamente não se sai ileso de uma experiência destas. Eu costumava achar que, já que já conhecia a cidade, seria razoavelmente simples me adaptar. Engano meu.
Pra começar pela violência, tive meu celular roubado e sofri uma tentativa de furto um tanto bizarra de meu vizinho de corredor, que entrou em meu apartamento e levou meu notebook, o qual apenas consigui reaver levando as fitas de segurança na delegacia, e olha que o cara era advogado e trabalhava (pasmem!) em uma secretaria da OAB.
Bom, de resto sobre São Paulo, o normal. Essa cidade acaba te matando um pouquinho por dentro. Quando você sai na rua e tem que desviar de um monte de gente pra se chegar em qualquer lugar. Os ônibus lotados, os trens atrasados e o trânsito, o trânsito e o trânsito, que a cada dia estava pior. Tudo isso te mata um pouquinho por dentro.
Acontece que só depois dessa pequena morte, que não é senão um batismo, a gente renasce através das pessoas que se conhece, dos lugares que se freqüenta e de toda efervescência cultural que essa cidade coloca a nosso dispor.
Aqui reconquistei velhos amigos e fiz outros novos. Como normalmente acontece na vida de todos, não consegui manter laços com todos que gostaria e nem conheci tanta gente nova e legal como havia planejado. Aos solavancos, também tentei manter contato com os velhos amigos de outros lugares por onde passei, e esse pequeno esforço já valeu a pena.
Tive três empregos diferentes, primeiro como professor de inglês no Ipiranga, depois como assistente de comunicação do mercadolivre.com, em Alphaville (longe pra diabo!), e agora trabalho como assessor de comunicação em um escritório de advogados, o que está longe de ser meu emprego dos sonhos, mas por ser perto de casa a ponto de me possibilitar ir caminhando, já está de bom tamanho.
2008 também foi o ano em que descobri o budismo e a meditação (ótimos remédios contra o caos da metrópole), mas nos quais pretendo me aprofundar em 2009.
E como toda retrospectiva só tem razão de ser graças aos planos que queremos estabelecer ou continuar, segue minha lista de resoluções pro ano que vem:
Como já havia dito, quero dar início a um semanário pessoal, e além disso, juntamente com alguns amigos, vou começar um grupo de estudos sobre o Brasil, quero fazer algumas disciplinas na USP (uma no primeiro e outra no segundo semestre), e pretendo trabalhar como voluntário para alguma ONG.
No plano das criações, inclui-se o desenvolvimento de um curta documentário, três curtas de ficção (os quais já possuo o roteiro), novamente uma revista online, e fora isso, o de sempre: ler mais, escrever mais, fotografar mais, lidar melhor com as pessoas, ser mais claro e objetivo, me exercitar um pouco, e o que mais aparecer em meu caminho.
Acho que já está de bom tamanho. Como diz minha mãe, “não dá pra se chegar longe sem nunca ter partido”. Sábia mamãe!
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